CELSO ROTH - NOTÍCIAS
Roth mira o equilíbrio

Novo técnico saiu da apresentação para o treino na Toca da Raposa, indicou necessidade de reforços e rechaçou fama de retranqueiro. Ele aposta em bom resultado no Brasileiro

Uma conversa longa com o grupo no centro do campo, seguida de atividade técnica em que os jogadores tinham de valorizar a posse de bola e finalizacões, abriu a era Celso Roth no Cruzeiro. O gaúcho foi apresentado como novo técnico da equipe celeste no meio da tarde, apontou a necessidade de reforços e poucos minutos depois já estava no campo, iniciando os trabalhos no clube celeste, que estava sem comando havia uma semana, desde que Vágner Mancini entregou o cargo após a eliminação na Copa do Brasil. A estreia será domingo, em Uberlândia, diante do Atlético-GO, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

A chegada do treinador deu ânimo novo na Toca da Raposa II. Se nos últimos dias o clima de incerteza fez com que os treinos fossem quase em silêncio, ontem já se viu atletas animados, correndo bastante, além dos costumeiros gritos de incentivo ou reclamação do novo comandante.

A cobrança, aliás, é uma das marcas de Celso Roth, como ele próprio destaca. Porém, refuta o rótulo de “sargento”. “Não tem nada disso, sargento, capitão, o que tem de haver é comando, organização, não só no futebol, mas na vida. Temos de estar preparados para qualquer coisa e você só fica preparado se tiver disciplina. Nada funciona sem comando e sem disciplina”, diz ele, destacando que vai jogar quem estiver melhor e provar isso nos treinamentos.

Roth também descartou a fama de priorizar as equipes fechadas, que pouco atacam. “Não tenho essa marca de defesas sólidas, mas sim de ter um time equilibrado. Se as coisas andam juntas, funcionam juntas. O meu pensamento é ter setores equilibrados e, se conseguir, teremos uma defesa firme e um ataque que vai chegar. Essa é minha ideia de ver futebol e vai continuar assim”, declara.

Com o time eliminado precocemente tanto no Campeonato Mineiro quanto na Copa do Brasil, caberá ao novo técnico não só reorganizar a equipe como elevar a autoestima dos jogadores. Dizendo-se pronto para realizar o trabalho, ele mostra confiança. “Treinador só entra neste tipo de situação, chega para ajeitar a casa. O desafio é grande, difícil, mas já ficou mais ameno depois da boa recepção que tive e também da conversa com a diretoria.”

Nesse diálogo, obviamente, um dos assuntos foi a contratação de reforços. Os nomes ou mesmo as posições estão sendo mantidos em sigilo, mas é certo que o Cruzeiro vai buscar atletas. Um deles seria o volante Elias, atualmente no Atlético-GO.

De qualquer forma, ele lembra que a fase do clube não é tão boa como em outras temporadas, tendo havido troca de comando, além de os recursos financeiros estarem escassos. “O Cruzeiro passa por um momento de mudança e isso causa um certo desequilíbrio. Se troca é o treinador é porque está desequilibrado tecnicamente. Então, nossa missão é trabalhar para fazer o melhor possível. Se tivermos o mérito de disputar o titulo, ótimo”, afirma.

Conhecimento Somando duas passagens pelo maior rival do Cruzeiro, o Atlético, o treinador se diz bastante feliz em voltar a Belo Horizonte e considera um privilégio a chance de trabalhar no clube do Barro Preto. “Aceitei o convite muito por sempre ter apreciado o Cruzeiro, toda vez que vinha ou estava aqui como adversário, sempre gostei da estrutura, da forma como o clube trata as coisas”, diz.

Se ontem ainda estava conhecendo a maioria dos atletas, hoje ele comanda treino em dois períodos e já pretende começar a armar o time para a sequência da temporada. O desafio maior é estrear com o pé direito. “O jogo de domingo é hiper-importante, pois estaremos jogando em casa. É uma decisão, não apenas pela nossa necessidade, como também pela própria fórmula dos pontos corridos”, afirma.

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Celso Roth é apresentado como treinador do Cruzeiro na Toca II




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diogo Finelli

A Diretoria do Cruzeiro apresentou, na tarde desta quarta-feira, o técnico Celso Roth, que vai comandar a equipe no Campeonato Brasileiro. A apresentação do novo treinador foi feita pelo Presidente Gilvan de Pinho Tavares, pelo Vice-Presidente José Maria Fialho e pelo Diretor de Futebol Alexandre Mattos. Roth concedeu entrevista coletiva à imprensa. Confira as principais perguntas e respostas:

O que você pode dizer sobre essa sua chegada ao Cruzeiro e sobre esse novo desafio em sua carreira?

Roth: Estou no Cruzeiro muito mais por essa situação, de estar trabalhando num clube, em que, mesmo estando como adversário, ou fora daqui, sempre fiquei impressionado com a estrutura do clube. Agradeço ao presidente e toda a direção. Treinador só entra nesse tipo de situação, chega para ajeitar a casa. O desafio é grande, difícil, mas já ficou mais ameno, pois a recepção que tive nos dá um alento importante.

Alguns jogadores que já trabalharam com você, falaram sobre o seu estilo, disciplinador, que cobra muito. É por aí mesmo?

Não tem nada a ver com sargento ou comandante. É a vida. Temos que estar preparados e predestinados para qualquer coisa. A sociedade é que assim, tudo na vida é preciso disciplina. Filosofia de vida. E pelo que a gente vê aqui no Cruzeiro vamos seguir juntos.

Para muitos, você ficou conhecido por ser um treinador que prioriza mais a defesa. É isso mesmo? Primeiro é pensar no setor defensivo?

Não tenho essa marca de defesas sólidas, mas sim de ter um time equilibrado. Se as coisas andam juntas, funcionam juntas. É mais fácil defender do que atacar, uma vez que para atacar é preciso ter criatividade. O meu pensamento é ter setores equilibrados e quem tem isso terá defesa sólida e um ataque que vai chegar. Essa é minha ideia de ver futebol e vai continuar assim.

O que você pode dizer sobre o objetivo do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro, que, para a Raposa, começará já no domingo, contra o Atlético-GO, em Uberlândia?

Fazer o melhor possível (no Brasileiro). Pela história do Cruzeiro, o objetivo é sempre o titulo. E vamos ser assim. Mas sabemos que é um momento de transformação, mudanças no time, e mudanças sempre causam desequilíbrio. Estamos agora fazendo troca de treinador porque o cruzeiro está num momento de desequilíbrio técnico e outros fatores. O que temos que dizer ao torcedor é que vamos trabalhar e vamos trabalhar para fazer o melhor possível. Se tivermos o mérito de disputar o titulo, ótimo, porque temos estrutura. Mas esse é o nosso objetivo, buscar o título, e fazer o melhor que pudermos.

Nos quatro anos anteriores, o Cruzeiro disputou a Copa Libertadores da América. Neste ano a equipe ficou de fora. É também um objetivo devolver a equipe ao principal torneio da América do Sul?

O Cruzeiro desde 2008 está chegando à Libertadores. Infelizmente, o Cruzeiro passou por essa transformação e está tendo desequilíbrio. Nosso objetivo é fazer com que o Cruzeiro sempre dispute os principais torneios do Brasil e sul-americanos.

E sobre o elenco atual do Cruzeiro, o que você pode dizer? E sobre a chegada de reforços?

O Cruzeiro tem um grupo interessante, muito bom. Precisa de alguns reforços, mudanças, estamos conversando a esse respeito. Alguns jogadores devem sair e outros vão chegar, como é normal acontecer. Mas temos condições de fazer um grande trabalho.

O Cruzeiro conta com vários jogadores de qualidade que não atravessam um bom momento. Pode-se dizer que os reforços do time estão no próprio grupo, bastante recuperar a autoestima desses atletas?

O primeiro passo é recuperar esses jogadores, a autoestima de vários jogadores do Cruzeiro. O time tem uma base interessante e boa. Temos que recuperá-los, e trabalhar para reforçar mais esse grupo.


Confira a ficha técnica do técnico Celso Roth:

Nome: Celso Juarez Roth
Data Nascimento: 30/11/1957 (54 anos)
Naturalidade: Caxias do Sul (RS)
Carreira como jogador: Juventude-RS (1975-1978)

Carreira como preparador físico: Auxiliar de preparação física do Juventude-RS (1981-1983), Preparador físico do Juventude-RS (1983-1986), Preparador físico do Grêmio-RS (1987-1988)

Carreira como treinador: Al Qadsia, do Kuwait (1988-1990), Seleção júnior da Indonésia (1990-1991), Seleção júnior do Qatar (1991-1992), Al Etehad, do Qatar (1992-1993), juniores do Internacional-RS (1993-1994), Al Ahli, dos Emirados Árabes (1994), Brasil de Pelotas-RS (1995), Caxias-RS (1996), Bento Gonçalves-RS (1996), Juventus, de Jaraguá do Sul-RS (1996), Internacional-RS (1996-1998), Vitória-BA (1998), Grêmio-RS (1998-1999), Sport-PE (2000), Grêmio-RS (2000), Palmeiras-SP (2001), Santos-SP (2002), Internacional-RS (2002), Atlético-MG (2003), Goiás-GO (2004), Flamengo-RJ (2005), Botafogo-RJ (2005), Vasco-RJ (2007), Grêmio-RS (2008-2009), Atlético-MG (2009), Vasco-RJ (2010), Internacional-RS (2010-2011) e Grêmio-RS (2011)

Títulos como treinador: Copa Libertadores da América 2010 (Internacional-RS), Copa do Nordeste 2000 (Sport-PE), Copa Sul 1999 (Grêmio-RS), Campeonato Gaúcho 1999 (Grêmio-RS), Campeonato Gaúcho 1997 (Internacional-RS) e Copa Daltro Menezes 1996 (Caxias-RS)

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