Grêmio 1×0 Santos – Massacre de 15 minutos foi o suficiente

Por André Rocha

 

 

 

O 4-2-3-1 gremista se impôs nos primeiros 15 minutos com marcação adiantada, intensidade e movimentação do trio de meias; Santos sofreu com indefinição dos volantes no cerco a Douglas, a liberdade para Mário Fernandes apoiar e erros na saída da defesa.

Os primeiros 15 minutos do time de Celso Roth no Olímpico foi, sem exageros, uma autêntica aula de imposição de um time em seus domínios e também de execução do 4-2-3-1 com três meias autênticos atrás do atacante único.

Marcação avançada, pressionando com duplo combate o adversário com a bola em qualquer pedaço de campo; intensidade e rapidez na transição ofensiva depois do desarme na intermediária do oponente; muita movimentação de Marquinhos, Douglas e Escudero, que se aproximavam de Brandão e ainda abriam espaços para as ultrapassagens dos laterais Mario Fernandes e Júlio César; saída de bola simples e rápida dos volantes Rochemback e Fernando.

O domínio foi tamanho que era até difícil precisar o sistema tático santista: inicialmente parecia um 4-2-3-1, com Elano, Alan Kardec e Ibson atrás de Borges. Depois o 4-2-2-2 ficou mais nítido. Mas o time já estava em desvantagem no placar.
Porque o Grêmio ameaçou logo no primeiro minuto com bola roubada no ataque, passe de Escudero e chute de Douglas por cima. Depois na virada de Brandão completando toque de calcanhar de Marquinhos que Rafael defendeu. O gol só saiu aos nove, com Brandão escorando de cabeça jogada coletiva bem engendrada que teve chute de Douglas e, no rebote de Rafael, o centro preciso de Marquinhos para o camisa nove, que ganhou a vaga de André Lima na frente. A equipe gaúcha quase ampliou dois minutos depois, em arremates seguidas de Escudero e Marquinhos.

O Santos só respirou quando o time gaúcho recolheu suas linhas e Alan Kardec encontrou espaços às costas dos volantes gremistas para ser o melhor do alvinegro praiano na primeira etapa. Aos 16, em contragolpe puxado pelo atacante à esquerda, a bola sobrou para Ibson, que chutou para fora. O meia ainda teria mais uma boa oportunidade em jogada individual, mas o chute novamente saiu impreciso. Aos 36, foi a vez do Santos roubar a bola no ataque, Elano servir Kardec, que bateu em cima de Victor. Na melhor chance dos visitantes, Arouca, em uma de suas raras descidas, serviu Borges, que bateu torto para fora.

O Grêmio perdeu volume de jogo, mas seguiu controlando o ritmo. Enquanto Arouca e Adriano se alternavam na marcação a Douglas, sem sucesso, Marquinhos e Escudero voavam pelos flancos e desarticulavam o sistema defensivo. O esquema de Muricy não encaixava sem a bola e Mário Fernandes tinha enorme liberdade para apoiar. O lateral quase marcou belo gol após um chapéu em Léo dentro da área, mas o chute saiu torto.

A disputa seguiu equilibrada e de bom nível na segunda etapa. O Grêmio tentou repetir o "abafa" do início da segunda etapa, mas o Santos estava mais precavido e organizado. E Rafael garantiu com boas defesas em chutes de Douglas e Júlio César. O time paulista ganhou coordenação com Renteria no lugar de Ibson emulando as funções de Neymar e fazendo o time voltar ao 4-3-2-1, ou 4-3-3, dos últimos jogos.

Curiosamente, a formação mais ofensiva rearrumou a marcação: Adriano voltou a seguir Douglas; Elano, depois Henrique, e Arouca vigiavam os volantes gremistas e os laterais Danilo e Léo cuidavam dos meias mais abertos. Mas oportunidade concreta o Santos só teve na falha de Victor e Rafael Marques que Edu Dracena não aproveitou após cobrança de falta na intermediária. O Santos concluiu pouco: apenas duas finalizações corretas, contra oito do Grêmio.

Nos últimos dez minutos, Roth reoxigenou o time com Gilberto Silva, Miralles e André Lima nas vagas dos extenuados Marquinhos e Escudero e de Brandão. Taticamente o time também mudou: 4-3-1-2 mais cauteloso para administrar o resultado.

No final, Santos avançou suas linhas no 4-3-2-1 com Renteria emulando as funções de Neymar; Grêmio administrou o resultado no 4-3-1-2 armado por Roth com as substituições.

O Santos já pode pensar no Mundial. Definir um time base com todos disponiveis é preciso. Rearrumar o sistema defensivo mais ainda. Para uma equipe que pode encarar o Barcelona, que marca à frente e trabalha a bola como poucos times na história, os primeiros quinze minutos em Porto Alegre servem como referência do que não deve ser feito. Nem a ausência de Neymar justifica tantos erros e a total submissão ao oponente.

A sexta vitória em nove jogos é forte indício da recuperação gremista. Com formação, desenho tático e dinâmica definidos, basta tentar repetir por um período maior nas próximas partidas os fantásticos quinze minutos que transformam o tricolor gaúcho no mais novo "emergente" do Brasileirão.

http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico